quinta-feira, 27 de março de 2014

Obviamente…

(da série “Mas que raio estou aqui a fazer?!”)


Vá… tivemos um Inverno ameno. Sendo que “ameno”, no dialecto das Ardenas, significa que as temperaturas quase nunca estiveram negativas. Praticamente, não nevou. Portanto, não se pode dizer que este Inverno tenha sido muito rigoroso.

Tudo levava a crer que o início da Primavera iria trazer o bom tempo. Temperaturas agradáveis. Sol.

Obviamente, desde nos despedimos oficialmente do Inverno, tem gelado todas as noites. E, durante o dia, têm caído umas bolas brancas do céu. Uma espécie de granizo elevado ao expoente máximo. Coisa nunca antes vista que magoa mesmo o cocuruto. E já nevou, claro.

Estamos na Primavera. Quase em Abril. E eu passo 10 minutos todas as manhãs a raspar o meu carro com a geringonça de plástico para tirar o gelo. Pronto, é só isto. Fica o desabafo.

terça-feira, 25 de março de 2014

Conhecem aquela expressão “Era capaz de vender a própria mãe”?

(depois de um dia de trabalho,

descobri que o meu filho Diogo é um acérrimo defensor)


Celebrou-se, no passado dia 21 de Março, o Dia Mundial da Trissomia 21. No Domingo, a associação onde trabalho deu numa grande festa que juntou pais, filhos, profissionais, filhos dos profissionais… E, o que era suposto ser mais um dia de trabalho, transformou-se numa tarde de puro divertimento. Para mim e para os miúdos, que tiveram de ir a reboque.

Eu tinha-os avisado que todos os chefes dos diferentes serviços da associação iam estar presentes, bem como os colegas com quem convivo diariamente. Pessoas que eu já conhecia e pessoas que ia ter a oportunidade de ver pela primeira vez. Portanto, esperava que tivessem um comportamento irrepreensível. Nada de discussões, gritos, correrias ou birras. E nada de se porem a comer como uns alarves esfomeados, que é sempre o meu maior receio.

Para além disso, tive o cuidado de lhes explicar exactamente em que consistia a trissomia 21. Mostrei-lhes vídeos e fotografias de outras crianças e jovens com trissomia 21. Expliquei ao Vasco que tinha de ter cuidado quando estivesse a brincar com os meninos mais pequeninos. E disse ao Diogo para agir normalmente quando falasse com a rapaziada da idade dele.

Embora não estivessem contrariados, também não estavam propriamente a delirar por terem de ir trabalhar com a mãe, num domingo que prometia sol. Mas, mal entraram no recinto, ambos os meus filhos decidiram vestir a camisola e aproveitar ao máximo. O Vasco pegou num mapa do sítio e não descansou enquanto não experimentou todas as actividades disponíveis: passeios de burro, pinturas faciais, segways, discoteca, ateliers de desporto e de pintura, etc. O Diogo, quando se fartou de fazer de babysitter do irmão, quis ajudar a sério. Esteve à entrada a vender senhas e gauffres. E, no final, ajudou a arrumar tudo. Foi alvo dos mais rasgados elogios. Eu estava babadíssima por trabalhar lado a lado com este filho (cada vez mais) crescido.

Claro que o Vasco, quando se viu entregue a si mesmo, mostrou a sua candura natural… que é como quem diz, soltou a fera que habita naquele corpo de metro e pouco. Meteu-se com toda a gente com quem se cruzou, falou pelos cotovelos, disse disparates e pôs toda a gente a rir. Correu e brincou sem parar com miúdos iguais a ele e com outros um bocadinho diferentes. Jogou matraquilhos com o meu chefe e deu-lhe um raspanete quando perderam. Nem sequer percebeu que estava a jogar contra uma equipa de meninas com trissomia 21. De caras pintadas e aos gritos são todos iguais.

O Diogo estava pasmado a ver os adolescentes, com diferentes tipos de deficiência cognitiva, que quiseram participar no nosso concurso. O objectivo era estimar o peso de um enorme frasco de vidro cheio de doces. Um dos administradores apostou 8kg, quando todos os miúdos se ficaram pelos 2,5/3kg. O peso correcto era 2,831kg!

O chefe dos ATL da associação, que eu ainda não conhecia, passou grande parte da tarde à conversa connosco. Às páginas tantas, pergunta-me: “Então, com excepção do trabalho e destes rapazes fantásticos, o que fazes dos teus dias?”. Ainda estava eu a pensar numa resposta decente, quando o Diogo começa a discorrer sem parar sobre a minha pessoa: “A minha mãe?! A minha mãe nunca pára! É muito enérgica, está sempre a fazer alguma coisa! Além do trabalho na associação, dá aulas de Espanhol à noite. No ano passado, dava aulas de Inglês. E faz traduções. Ela é tradutora, fala quatro línguas. Trabalha muito, a minha mãe! Também tem um blog. E tem muito jeito de mãos! Faz bricolagem, adora trabalhar a madeira. Em poucos minutos, consegue transformar um pedaço de madeira num candeeiro! Para além do tempo que dedica à casa. Está sempre a limpar e a arrumar. É uma excelente cozinheira!” Cada vez mais envergonhada, eu só conseguia balbuciar: “Ó Diogo… Ó Diogo…” Ao que ele ia respondendo: “Ela é uma excelente mãe. Uma pessoa muito especial.”

Quando chegámos a casa, completamente derreados, perguntei-lhe o que lhe tinha passado pela cabeça para se pôr a fazer aqueles elogios todos. Que embora ficasse feliz por ver que ele me achava uma mãe especial, não devia recitar as minhas supostas qualidades como se me estivesse a leiloar. O Diogo defendeu-se dizendo que se tratava de um chefe e que era importante valorizar-me. Lá expliquei que ele não tinha que se preocupar, porque o meu trabalho estava assegurado, eu já tinha um contrato. E, do alto dos seus quase 13 anos, ele rematou: “Sim, tens um contrato. Mas podes sempre conseguir uma promoção, nunca se sabe. De qualquer modo, é sempre melhor terem-te em boa conta no trabalho, sabes?”.

Algo me diz que este tipo não sofre de falta de ambição e que se vai safar no mundo do trabalho...

sexta-feira, 21 de março de 2014

Google Maps

(já a sonhar com as férias grandes…)


Meto-me no carro com os miúdos e o cão no dia 1 de Julho. No porta-bagagens levamos uma tenda da Decathlon. E partimos à aventura. Voltamos no dia 15.
 
O destino não é o mais importante. O caminho, sim...

Malempré, Bélgica – Berlim, Alemanha: 715 Km, 6h35 min.

Malempré, Bélgica – Praga, República Checa: 813 Km, 7h23 min.

Malempré, Bélgica – Veneza, Itália: 1077 Km, 10h11 min.

Malempré, Bélgica – Rijeka, Croácia: 1175 Km, 11h19 min.

 
[ Ou então conseguimos alugar uma casa e ficamos a pintar as paredes, à espera das primeiras visitas… ]