(onde o pensamento nos foge de imediato para os nossos)
Sabem
aquela história dos pais que não vacinam os filhos? Uma pessoa pensa sempre que
são os “outros”, gente algo estranha que certamente não faz parte do nosso
círculo de amigos. É um daqueles problemas algo abstractos, que discutimos
sempre no plano teórico. E, depois, recebemos um SMS aflito do nosso filho.
Hoje há “visite médicale” lá na
escola. E ele acabou de descobrir que a namorada não é vacinada. Que
não toma medicamentos e só segue medicinas alternativas, já nós sabíamos. Do
alto dos seus 15 anos, não sabe explicar porquê. São coisas de família. Não se
questiona. E o melhor é nem sequer ouvir argumentos contrários. Filho grande
está desde as 8h30 da manhã a mandar-me SMS. Alterna entre zangado, incrédulo,
furioso, desamparado, consternado, preocupado. Não consegue aceitar, nem
perceber. E eu não sei que lhe diga… Só penso naquela miúda de 17 anos que
morreu há pouco tempo em Portugal. Gosto muito da Marie. Mas, depois, penso no
meu. É automático.
O
Diogo tinha um grave problema de imunidade, quando era criança. Passou a
infância toda a repetir as chamadas doenças infantis que só se apanham uma vez.
Lembro-me bem da varicela. Foram cinco vezes. E da escarlatina. Foram quatro. Mais
o exantema súbito. A quinta doença… Perdi-lhes a conta. Foram tantas e tantas
vezes nas urgências de um hospital a discutir com os médicos. Já conhecia de
cor a sintomatologia, o diagnóstico e o tratamento. Sim, já tinha tido aquilo antes.
Sim, era vacinado. Não, não era impossível. Pois claro que podia dar o número
da pediatra, ligue lá para confirmar… No final da infância passou, parecia
milagre. E eu fiquei sempre chateada com o facto de, no meio de tanta doença
diferente repetida, o miúdo nunca ter apanhado papeira. Porque já se sabe que é extremamente
perigoso um adolescente apanhar papeira. Mas, pronto, nesta idade o risco é bastante
menor. Já todos receberam vacinas e reforços, certo? Excepto a Marie. Que até
tem uma irmã mais nova na Primária e está mais exposta às doenças infantis,
visto que os recreios das crianças dos 2 anos aos 12 são partilhados. Só tenho
vontade de bater naqueles pais, a sério. Ainda bem que fui beber um café com
eles há pouco tempo, agora duvido que me voltem a apanhar. Gente inconsciente,
pá!

