quinta-feira, 15 de junho de 2017

A ler com atenção

(quando um profissional que muito respeitamos chama a atenção

 para os perigos da “moda” da alienação parental)



Roubado a Clara Sottomayor.
Isto é muito preocupante e repito o que já disse aqui e no O Amor é...: claro que há mulheres - e homens! - que manipulam crianças na sua luta contra o outro progenitor, todos os envolvidos no processo devem ter a preparação e o empenhamento necessários para avaliar as situações. Mas quando se começa a decidir baseados em diagnósticos e rótulos, ainda por cima discutíveis e discutidos, a injustiça espreita em cada esquina . E os números referidos no artigo são impressionantes...
By Marisa Endicott, Common Sense News When Jaclyn moved to Ohio with her two young children, she thought she could begin a new life. She and her hu...
HUFFINGTONPOST.COM

Eis um cheirinho do artigo…

“One three-year study is looking at thousands of cases involving abuse, custody and alienation. A preliminary examination of 238 cases indicates that fathers accused of abuse (adult or child), who in turn accused the mother of alienation, won their cases 72 percent of the time. They won 69 percent of the time when child abuse was alleged and 81 percent of the time when child sexual abuse was alleged. In the seven cases where judges credited both abuse and alienation in the ruling, the father won every time. When the court credited abuse but not alienation, fathers only won 16 percent. The researchers defined winning as any time the litigants received some or all of what they requested, ranging from more visits to full custody.”

domingo, 11 de junho de 2017

Dezasseis anos de filho grande

(porque se não fossem aqueles olhos escuros iguaizinhos aos meus 

e o amor infinito que lhe tenho,

duvidaria que é mesmo meu filho)




Defende ideias de direita. Mesmo muito à direita. Tanto, tanto, tanto, que chega a tocar ligeiramente à esquerda sem se aperceber.

Tem valores morais inalcançáveis. Conservadores, como se pode calcular.

A língua afiada é de crítica fácil. O decote daquela é demasiado pronunciado. Aquele vem das barracas. O comportamento do outro é deplorável. Acolá está um bando de bêbados.

Adora a escola. Sabe-lhe sempre a pouco. Por ele, encurtava as férias todas pela metade. Ainda assim, seria imenso. Defende a rigidez do regulamento interno com a vida. A autoridade docente também é inquestionável. Relembra as datas dos testes e nunca deixa passar os trabalhos de casa em branco. É o terror dos colegas, excessivamente imaturos e palermas.

Abomina a adolescência tresloucada. A que é passada em noitadas de bebedeira, deboche e drogas. A adolescência perdida, desinteressante e ridícula. Mal-amanhada. Mal vestida. Ignorante. Que só sabe escrever textos encriptados, numa espécie de linguajar infantil sintetizado que aboliu as vogais.

A música moderna devia ser erradicada do mundo. Tal como a televisão, que nos tenta manipular sub-repticiamente. E a superficialidade da comunicação social.

Aguarda ansiosamente o regresso dos serial killers que lhe irão garantir um emprego no futuro. Enquanto isso vai devorando livros de crimes. Reais ou ficcionais, tanto faz. As profundezas da maldade humana atraem-no.

Quando adora uma pessoa, os seus defeitos são “queridos”. Mas se alguém cai em desgraça é incapaz de perdoar. A traição é o pior defeito do ser humano.

Tem uma sensibilidade exacerbada ao erro ortográfico, que corrige compulsivamente. Nada escapa ao crivo do seu lápis azul: SMS da namorada, comentários dos amigos no Facebook, cartas de amor da namorada do irmão, artigos de jornais…

É sobranceiro e altivo. Elitista. Arrogante. Superior.

Detesta mudanças, transformações, reviravoltas. O mundo devia ser imutável. A ordem dos objectos fixa. A mínima modificação consegue deixá-lo fisicamente maldisposto. Seja uma cadeira fora do lugar, um quadro ligeiramente torto ou um bloco de folhas desordenadas.

Ostenta com orgulho uma certa forma de pudor. O corpo não deve ser demasiado exposto (muito menos tocado). As manifestações de afecto querem-se discretas. As emoções exacerbadas e demonstrativas são sintoma de fraqueza humana.

Tem um sentido estético apuradíssimo. A indumentária é sinal de distinção. As marcas não são importantes, a originalidade também não. A excentricidade assusta-o. Há que ser discreto.

Gosta muito de viajar e de conhecer novos mundos. Novas culturas. Tem imensa curiosidade perante a diferença. Apesar disso, o melhor de tudo é voltar a casa. Ao refúgio imutável e seguro.