segunda-feira, 19 de junho de 2017

Quando as palavras não chegam

(porque há momentos em que só a música nos salva)



Apetece-me escrever o que me vai na alma, mas as palavras têm dificuldade em sair. Em articular-se. Estou farta de ver a floresta em Portugal a ser dizimada por incêndios no Verão. Tal como estou cansada dos atentados que propagam o medo tão perto de nós, nos últimos tempos. Tantas vidas ceifadas. Aos poucos, aprendemos a ser indiferentes. A seguir com a nossa vida, como se nada fosse. Deixamos de pedir notícias à família espalhada por essa Europa fora quando algo acontece, convictos de que nunca serão os nossos. E suspiramos de alívio porque, apesar de tudo, nos sentimos seguros nesta terriola nos confins das Ardenas. Não sei o que será pior: a calamidade ou a nossa própria indiferença e tranquilidade por nos sabermos a salvo… Até quando?

Não tenho por hábito mostrar os meus filhos a tocar, porque acho que as crianças não são macaquinhos de circo. Mas hoje abro uma pequena excepção. O Diogo foi dispensado do exame de órgão em Abril, por estar numa visita de estudo em Oxford. No final deste segundo ano, teve por isso de apresentar quatro músicas na audição. É o único instrumento que o filho crescido consegue tocar sozinho em público. Não está em palco a dar espectáculo, está numa igreja a falar com ele próprio. Não está a exibir-se virado para a assistência, está face a face com o mais belo instrumento. No final, o director da Académie deu os parabéns aos dois jovens músicos, o Noé e o Diogo. Pela excelente prestação mas, principalmente, por serem uma pequeníssima minoria (por coincidências da vida são ambos portugueses e têm um percurso de vida muito semelhante). O órgão de igreja não é um instrumento popular entre os adolescentes. É preciso ter coragem para ser diferente e lutar contra o mainstream. E força de vontade para ter aulas numa igreja fria, em pleno Inverno. Para além da humildade de se não se poder mostrar a ninguém o que se faz no recolhimento daquele espaço sagrado.

Poder-me-ão perguntar qual a relação entre as catástrofes que nos assolam e o órgão de igreja (para além do facto de acreditar que a música é salvadora, nestes momentos). A resposta, para mim, está na educação. De uma maneira ou de outra, estou convencida de que só conseguiremos mudar de paradigma educando as novas gerações para pensarem “fora da caixa”. Sozinha não consigo fazer nada para travar o aquecimento global. Ou para combater o terrorismo. Provavelmente, a única coisa que poderei fazer é educar os meus dois rapazes para serem anticonformistas, para não terem medo da diferença. Para pensarem pela sua própria cabeça. Para serem conscientes e defenderem o planeta que os alberga com todas as suas forças. Para serem empáticos, para se tentarem sempre pôr no lugar do outro. Para serem altruístas e porem o bem maior acima das suas próprias necessidades comezinhas. Para criarem pontes entre povos, culturas, línguas, países. Para terem uma mente aberta, sã, liberta, evoluída. Sobretudo, para serem imaginativos. Acho que estamos desesperadamente a precisar de pessoas com imaginação. O mundo tal como o conhecemos está a deixar de fazer sentido, mas nós continuamos todos cegamente agarrados a uma forma antiga de fazer. De ser e de estar. Não sou nada defensora do “na minha época é que era”. A minha geração está a chegar ao poder. Já detém inúmeros cargos de chefia e posições importantes. E, salvo raras excepções, é uma desilusão. Possamos, pelo menos, ser bons educadores para que as coisas mudem daqui por uns anos.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

A ler com atenção

(quando um profissional que muito respeitamos chama a atenção

 para os perigos da “moda” da alienação parental)



Roubado a Clara Sottomayor.
Isto é muito preocupante e repito o que já disse aqui e no O Amor é...: claro que há mulheres - e homens! - que manipulam crianças na sua luta contra o outro progenitor, todos os envolvidos no processo devem ter a preparação e o empenhamento necessários para avaliar as situações. Mas quando se começa a decidir baseados em diagnósticos e rótulos, ainda por cima discutíveis e discutidos, a injustiça espreita em cada esquina . E os números referidos no artigo são impressionantes...
By Marisa Endicott, Common Sense News When Jaclyn moved to Ohio with her two young children, she thought she could begin a new life. She and her hu...
HUFFINGTONPOST.COM

Eis um cheirinho do artigo…

“One three-year study is looking at thousands of cases involving abuse, custody and alienation. A preliminary examination of 238 cases indicates that fathers accused of abuse (adult or child), who in turn accused the mother of alienation, won their cases 72 percent of the time. They won 69 percent of the time when child abuse was alleged and 81 percent of the time when child sexual abuse was alleged. In the seven cases where judges credited both abuse and alienation in the ruling, the father won every time. When the court credited abuse but not alienation, fathers only won 16 percent. The researchers defined winning as any time the litigants received some or all of what they requested, ranging from more visits to full custody.”