quarta-feira, 28 de junho de 2017

A emissão volta dentro de momentos

(onde se vai sem data de regresso)


Este ano lectivo foi muito difícil por diversos motivos. O final do ano foi especialmente dantesco. Estou bastante contente com o desempenho dos rapazes. Na escola e nas suas mil e uma actividades. Mas não estou satisfeita comigo própria. Algo falhou, sinto que andei meses a tentar acompanhar o ritmo sem conseguir. Impõe-se um período de reflexão.

Este ano decidimos ir de férias ainda antes do final das aulas. Ambas as escolas deram a sua autorização. Suponho que a minha cara de morta-viva deve ter ajudado. O meu amor organizou tudo, dentro do espírito que tinha ficado acordado no Verão passado: dar a conhecer o nosso país aos rapazes, antes de continuarmos a mostrar-lhes mais terras longínquas. E, pela primeira vez, partir juntos à descoberta de uma nova paisagem. A escolha foi fácil, dado que o meu amor ainda não conhecia os Açores. Nós também não.

As férias, este ano, querem-se "férias" no verdadeiro sentido da palavra. Ou seja, muito tempo no mesmo sítio. Tempo para ler. Para estarmos juntos. E sozinhos também. Tempo para descansar. Não quero visitar um sítio novo, tirar meia dúzia de fotografias e partir a correr para o próximo. Quero estar. Mais do que ver, quero observar. Com calma, tempo e paz. Sem a obrigação de limpar a casa e cozinhar. Enfim, férias.

Depois de uma paragem em Lisboa para matar saudades da família e dos amigos, eis-nos, então, em São Miguel. A emissão volta dentro de momentos.

Na minha Commune

(onde a vida floresce e se cuida da natureza)


Digo muitas vezes que me volto a apaixonar por este país todos os Outonos, quando a natureza nos oferece um espectáculo de cores lindíssimo. Mas também poderia perfeitamente dizer que me volto a apaixonar pela minha commune todos os Verões. Quando o calor aparece ainda meio tímido, Vielsalm renasce. As entradas e os parapeitos das casas enchem-se de flores. A câmara instala canteiros nas ruas e no cimo dos candeeiros. E hotéis para insectos. Os monumentos dedicados às duas Grandes Guerras são limpos e engalanados. Como todas as vilas e aldeolas perdidas das Ardenas, Vielsalm também sofreu muito com a guerra e a memória quer-se bem presente nas novas gerações. Os miúdos voltam a andar em grupos pelas ruas, vinte ou mais em fila, com um só professor à cabeça. É normal a escola vir para a rua, quando o tempo assim o permite. Vão ver exposições, buscar livros à biblioteca, fazer ginástica em frente ao lago ou simplesmente passear. No outro dia, a directora da escola do Vasco invadiu a esplanada em frente à nossa casa com os pequeninos da creche para comer um gelado. Os pais nunca são avisados destas saídas e é sempre engraçado deparar-me com o Vasco a meio do dia, sem estar à espera.

Este ano, houve novas alterações que me agradaram especialmente. Todo o caminho à volta do lago foi arranjado. Construíram espaços de piquenique, bancos de madeira com canteiros e instalaram maquinetas para fazer exercício. Apesar de correr por ali quase diariamente, ainda não tive coragem de os experimentar… contrariamente aos velhotes todos da commune! Na zona do lago dedicada à pesca, construíram um espaço específico para as cadeiras de rodas, abrindo a actividade a um novo leque de utilizadores normalmente afastados destas lides. Além disso, ao longo das ruas, foram criadas hortas públicas com ervas aromáticas e pequenos legumes biológicos, onde a população se pode servir. Segundo me explicou um trabalhador da câmara oriundo de um centro de refugiados, há um cuidado especial em manter os insectos e abelhas da commune durante a época de polonização, pelo que não são utilizados quaisquer pesticidas. E eu que pensava que as flores que nos invadem nesta época eram apenas uma questão estética!










terça-feira, 20 de junho de 2017

Uma acusação parva, quatro respostas idiotas possíveis

(porque acabei de receber por SMS uma fotografia 

e uma queixa da mãe de um colega do Vasco, 

a dizer que tenho mesmoooo de falar com o meu filho selvagem)



a) Não te passou pela cabeça perguntar ao teu filho como raio é que o Vasco conseguiu mordê-lo na axila?! É que quando se aperta a cabeça de alguém com força debaixo do braço arriscamo-nos a que a pessoa se defenda com a única parte do corpo que tem livre… os dentes!

b) É uma pena a mordidela não ter sido mais forte. Gostava de mandar essa fotografia à ortodontista do Vasco para lhe dar os parabéns pela magnífica mandíbula superior. Afinal valeu bem o investimento dos quatro aparelhos dentários, caraças!

c) Estás cheia de sorte que o Vasco não sabe andar à bulha e defende-se como um miúdo pequeno. Estou cá desconfiada que outro Tuga qualquer de 10 anos lhe teria mandado dois belos sopapos nas trombas só para início de conversa.

d) É que dá insistirem em meter o miúdo na bola! Ele já te disse várias vezes que quer ir para o ballet com o Vasco, mas vocês acham que o futebol é que é um desporto de homens… Mal por mal, ponham-no nas artes marciais. É másculo e ainda aprende imobilizar por completo uma pessoa dos pés aos dentes à cabeça!