segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Halloween

(em Malempré, o Halloween festejou-se ordeiramente a 3 de Novembro)

 
Este ano, com a aldeia toda esburacada por causa das obras, decidimos festejar o Halloween no Domingo à tarde. Ah… e também porque a meteorologia anunciava uma trégua. Como eu não estava lá muito convencida, tive de arranjar uma solução alternativa à máscara de múmia: tapei a coisa pequena e a sua cadeira de rodas com uma manta branca, onde fiz uns buracos para os olhos e a boca. Ei-lo, portanto, mascarado de fantasma de cadeira de rodas! Foram enviados convites assustadores para a população estar preparada (ie, para não se pôr a andar e abastecer-se com doces).

Fazia um frio de rachar, estava um vento demoníaco e… chovia, chovia, chovia. Claro que isto não assustou minimamente a criançada, que apareceu em peso mascarada na sala de festas da aldeia, com uns pais pouco entusiasmados atrás. Nada de muito sofisticado, umas pinturas na cara, capas, cabeleiras, e boa disposição a rodos. Dividimos o grupo em dois: os pequeninos foram bater às portas na parte de cima de Malempré; os grandes foram às casas na parte de baixo, onde o risco de cair dentro de uma cratera era maior.

O Vasco, como não podia deixar de ser, quis ir no grupo dos grandes. Eis-nos, então, à chuva, a empurrar uma cadeira de rodas por caminhos de cabras para ir bater às portas. A miudagem estava bem ensinada: bate-se uma vez à porta e espera-se, grita-se “Bom-dia!” e agradece-se, haja doces ou não. E nada de gritar muito alto para não matar os velhotes todos da aldeia. Na verdade, são eles que acham mais piada ao desfile e que tinham os doces a postos. Nem sempre conseguíamos empurrar a coisa pequena até à porta, mas havia sempre algum miúdo que pedia também para o “fantasma deficiente na cadeira de rodas” ou que largava uns doces no balde do Vasco.

No final do desfile, voltámos a reunir-nos todos na sala de festas da aldeia. Enquanto as crianças comiam um lanche improvisado com o que os pais tinham trazido, os adultos faziam a divisão dos despojos. Sim, que em Malempré impera a democracia: os meninos despejaram os seus sacos em cima da mesa e nós dividimos irmãmente por todos… os dois adolescentes ostensivamente-não-mascarados-e-ligeiramente-atrás-do-cortejo também foram presenteados com sacos de doces que aceitaram envergonhados...

 

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