quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Alguns truques

(aprendidos a duras penas nos últimos três Invernos)


 
No Inverno, tentar sair de casa de casa com tempo. Muito tempo. Ou muita paciência. Nunca se sabe o que se pode encontrar pela frente. 


Até prova em contrário, a estrada é toda nossa. Ou seja, circular o mais possível no meio da via para maior segurança. Excepto se vier um carro na direcção contrária. Nesse caso, é melhor desviarmo-nos. Mas devagarinho.

 
Contrariar aquele instinto de condutor sabiamente desenvolvido ao longo dos anos: na dúvida, trava-se. Nunca travar. Nunca. Mesmo. Sob risco de assistirmos a uma cena altamente aterradora que é ver o nosso carro ganhar vida própria. E continuar a derrapar até ao monte de neve mais próximo, ignorando ostensivamente o nosso pé pesado no travão. Ou fazer peões no meio da estrada, o que é muito pior. Ou galgar uma rotunda, o que também não deixa de ser assustador. Neste caso, quem vinha em direcção contrária foi parar ao campo das vacas...

 

O ideal é manter uma grande distância do carro da frente. E, em caso de extrema necessidade, travar muito ligeiramente. Com a caixa de velocidades. Aliás, a velocidade é o segredo da condução na neve. Nas subidas, usa-se uma mudança acima do necessário. Nas descidas, uma mudança abaixo. Ou seja, o melhor é nunca deixar o carro muito à vontade. Caso contrário, ele pode sentir que está à vontadinha e perde-se o controlo do bicho. Em gíria equestre, dir-se-ia “não dar muita rédea”.


Tentar sempre seguir o trilho dos carros precedentes. O nosso carro não é um limpa-neves, é melhor não nos pormos a desbravar caminho. Uma auto-estrada de três vias reduz-se simplesmente a uma e segue tudo em filinha até ao destino. Calmamente. E, sim... por incrível que pareça, isto é mesmo uma auto-estrada de três vias...
 
 
Ah… por último, tentar resistir à tentação de tirar fotografias enquanto se conduz. Apesar dos 20 km/hora. Apesar de sabermos que somos perfeitamente capazes de segurar no volante e no telemóvel ao mesmo tempo. É só para evitar figuras tristes de emigrante tuga subjugado pelo cenário dantesco…

4 comentários:

  1. Subscrevo inteiramente, ponto por ponto, com base no que também aprendi a duras penas (quais duras penas, apanhando uns valentes cagaços, que a coisa não tem outro nome).
    Lembras-te de um programa de rádio antigo, que se chamava "Quando o telefone toca"? Pedia-se uma música que podia ser dedicada a alguém.
    Ora eu gostava de dedicar este post a todos os que acham que a neve é linda...

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  2. Pronto, Paula! Pedido atendido: Este post é doravante dedicado a todos os maluquinhos da Serra da Estrela e das fotografias bonitinhas no Instagram de montanhas cobertas de neve. A neve é muito linda, sim, senhora, mas é para quem não tem de apanhar com ela em cima meses a fio. :D

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  3. Acho que em dias assim recusava-me a conduzir!
    E olha que eu adoro conduzir!

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  4. Se a vida aqui parasse cada vez que há dias destes, mais valia hibernarmos todos no Inverno! :)

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