quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Primavera chegou, fui às compras

(... à minha maneira, claro!)

 
 
Este ano, pela primeira vez, estamos a assistir algo incrédulos ao início de uma verdadeira Primavera. Uma Primavera quentinha, entenda-se. No início, pensei que fosse (literalmente) sol de pouca dura e tentei não me deixar levar pelo entusiasmo. Mas os dias vão passando, as semanas vão passando… e o calor parece que veio mesmo para ficar. É engraçado assistir à chegada do bom tempo nesta terra. De facto, há coisas que só quem vive no Norte consegue dar valor. Os belgas vivem a Primavera de uma maneira que eu nunca tinha visto antes. Com uma alegria quase infantil. É altura de tratar dos jardins, de semear, de encher as casas de plantas. Há uma explosão de cores por toda a parte, é mesmo bonito de se ver porque parece que a Primavera nos entra pelos olhos adentro. Aqui em casa, graças ao entusiasmo do belga de serviço, deixámo-nos contagiar. Temo-nos dedicado de corpo e alma ao jardim, que está a ficar um espanto.
 
Claro que, depois, há outras questões mais prementes que atormentam a mãe da casa. Como, por exemplo, a necessidade de comprar roupa mais primaveril. Desde que vivemos na Bélgica que deixámos de ter “roupa de meia-estação”, porque isso foi coisa nunca antes vista por estes lados. Mas, este ano, tive mesmo de repensar a indumentária da malta toda. Em relação ao meu amor foi bastante simples. Os belgas não entendem esta nossa necessidade de termos muita roupa no armário, fazem a festa com três mudas de roupa de boa qualidade. O Diogo também já adoptou esta máxima, possivelmente por influência dos colegas. Enquanto o Vasco estava no solfejo, demos um pulinho ao Luxemburgo e aproveitámos a promoção ‘pague 2, leve 3’ da H&M. Felizmente, a minha vizinha deu-me imensa roupa de meia-estação do filho para o Vasco. Comprei mais umas coisas em segunda mão… e umas camisolas giras da H&M, que a coisa pequena já gosta de imitar o irmão. Entre o que vai perdendo e o que rasga todas as semanas, o Vasco precisa mesmo de muitaaa roupa. Para além de um par de sapatos por mês… é uma autêntica desgraça.
 
Evidentemente, quando chegou a minha vez, já pouco restava do orçamento inicial. Mas, para meu desespero, não podia mesmo deixar de ir às compras com uma certa urgência. A associação onde trabalho foi absorvida por outra bem maior. A minha biblioteca deixou de estar encafuada na torre de marfim e passou a ter lugar de destaque à entrada. De repente, vi-me à frente de um centro de documentação e comunicação com uma dimensão assustadora… e com dezenas de novas pessoas a entrarem-me diariamente escritório adentro. Deixámos de ser uma estrutura familiar, onde cada um vestia o que muito bem lhe apetecia. Depressa se começou a notar um esforço colectivo para melhorar o visual. Com Primavera ou sem ela, o meu guarda-roupa teria mesmo de sofrer um upgrade considerável.
 
Embora o custo de vida na Bélgica seja adaptado aos salários, logo, bastante mais elevado, é sempre possível poupar recorrendo ao mercado em segunda mão. Basta um bocadinho de esforço e saber procurar. Como diz o meu amor – que fica sempre pasmo com estes meus achados – é preciso ter olho. E não ter peneiras, claro. Embora já me tenha deixado de coisas há muito tempo, quando compro roupa em segunda mão, gosto que seja de marca. Tenho a garantia de que tem outra qualidade nas mãos da nova dona. Além disso, sabe-se lá porquê, há marcas que se adaptam melhor ao nosso corpo. A roupa da Esprit parece sempre que foi feita para mim, porque é bastante pequena. Fico sempre radiante quando encontro calças que me custariam 60€ por 2,5€… No total, por incrível que pareça, gastei a módica quantia de 37€. Sendo que sei que esse dinheiro é directamente canalizado pela Cruz Vermelha para ajudar as pessoas desfavorecidas do meu concelho. Cada vez mais odeio ir às compras, andar em lojas, perder tempo em centros comerciais... ali, despacho tudo em menos de meia-hora, gasto pouco e ajudo localmente.
 

 
(para os dias em que as chefias andam por lá...) 

(camisas para disfarçar o uso de calças de ganga)

(para os dias mais quentes... ih, ih, ih!)

(claramente já a sonhar com as férias de Verão...)

(vá... mais adaptado à realidade fresquinha da Bélgica)

2 comentários:

  1. Que belos achados, a sério! Conheço bem esse género de lojas porque trabalhei lá (como voluntária) durante alguns anos. Também compro muitas coisas,ou melhor dizendo... a maior parte do que tenho em segunda mão. Usando as tuas palavras - porque eu não o diria melhor!- também tenho olho e poucas peneiras. Se for bem escolhido, depois de vestido e engomado brilha tanto como uma peça que custaria normalmente mais umas dezenas de euros. Tenho razão ouu tenho razão?
    ;)

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