sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Aaaah... a bela vida nas Ardenas!

(descobri este delicioso texto anónimo na Net,

que traduzo para que vejam bem o que é a nossa vida)


  
"Diário de um habitante das Ardenas"

 
12 Agosto:
Mudámo-nos hoje para a nossa nova casa, nas Ardenas solarengas. Esta região é verdadeiramente magnífica. Os vales são tão majestosos! Estou desejoso de ter oportunidade de os ver cobertos de neve. Adoro esta terra.
 
14 Outubro:
As Ardenas são o lugar mais bonito do mundo. As copas das árvores passam por todas as tonalidades, do vermelho ao cor-de-laranja. Fomos dar um passeio pelos bosques e vislumbrámos veados. São tão graciosos! São sem dúvida os animais mais maravilhosos que existem à face da terra. Sinto que estou no paraíso. Adoro esta terra.
 
11 Novembro:
Em breve, vai começar a época da caça ao veado. Custa-me imaginar que alguém possa matar estas criaturas tão adoráveis. Espero que comece depressa a nevar. Adoro esta terra.
 
2 Dezembro:
Nevou esta noite. Quando acordámos, estava tudo coberto de neve. Parecia mesmo um postal. Saímos para limpar a neve das escadas e desimpedir o caminho de acesso à casa com uma pá. Fizemos uma batalha de bolas de neve (eu ganhei) mas, quando o limpa-neves passou, tivemos de pegar outra vez nas pás para tirar a neve. Que lugar magnífico. Adoro as Ardenas.
12 Dezembro:
Voltou a nevar esta noite. Adoro. O limpa-neves voltou a fazer a mesma brincadeira e encheu-nos o caminho de acesso de neve. Adoro esta terra.
 
19 Dezembro:
Mais neve esta noite. Não pude ir trabalhar. O caminho estava obstruído com montanhas de neve. Estou exausto à conta de tanta pazada. Estupor do limpa-neves.
 
22 Dezembro:
A merda branca voltou a cair em força esta noite. Tenho as mãos cheias de bolhas por causa da pá. Tenho a certeza absoluta de que o limpa-neves se esconde na curva à espera que eu desobstrua o caminho de acesso. Cabrão!
 
25 Dezembro:
Feliz Natal de merda! Outra vez esta porcaria da neve. Se, pelo menos, conseguisse deitar a mão ao filha da puta que conduz o limpa-neves! Palavra de honra que dou cabo dele, estupor! Pergunto-me por que raio ainda não espalharam sal nas estradas para derreter esta porcaria toda.
 
27 Dezembro:
Outra vez montes de merda branca, na noite passada. Fiquei fechado três dias em casa. Só saí para libertar o caminho de acesso, a cada passagem do limpa-neves. Já não posso ir a lado nenhum. O carro está soterrado debaixo de uma montanha de neve. Segundo o tipo da meteorologia, prevê-se mais 25 cm desta merda, esta noite. Fazem ideia do que representam 25 cm de neve em pazadas?!
 
28 Dezembro:
O tipo da meteorologia enganou-se redondamente. Desta vez, caíram mais de 80 cm de neve. Por este andar, antes do Verão isto não vai derreter. O limpa-neves ficou preso na estrada e veio bater-me à porta a pedir uma pá. Depois de lhe ter dito que já dei cabo de seis pás para limpar a neve que ele faz questão de atirar para a minha porta de entrada, parti-lhe a última que me restava nas fuças.
 
4 Janeiro:
Hoje consegui, finalmente, sair de casa. Fui ao supermercado comprar comida e, no caminho de regresso, o filho da mãe de um veado enfiou-se no pára-choques do meu carro. Foram 3000 euros de estragos. Deviam chacinar a porcaria destes bichos. Pensei que os caçadores tinham dado cabo deles todos em Novembro.
 
3 Maio:
Levei o carro ao mecânico, na cidade. Podem não acreditar…mas a carroçaria do carro está toda enferrujada, às custas da merda do sal que espalharam nas estradas para derreter a neve.
 
10 Maio:
Chegaram os homens das mudanças. Vamos voltar para Chastre. Não consigo acreditar que alguém são de espírito consiga gostar de viver nesta região perdida.
 

[ No nosso primeiro Inverno em Malempré, em 2012. Nunca vi tanta neve na minha vida... ]

  
 
[ O velho saxo todo limpinho, parado à porta. Havia dias em que chegávamos a casa e parecia que só tinha nevado naquela terra. A pá, sempre à mão de semear. O parqueamento ao lado da casa, completamente atolado de neve, onde foi impossível estacionar durante meses a fio. ]

 


[ A escola dos miúdos. ]





[ No dia em passou um maluco por mim a alta velocidade em sentido contrário e, para me deviar, encostei-me à berma... que afinal não era berma nenhuma, era um buraco tapado por muitooooos centímetros de neve! ]


5 comentários:

  1. Ahhh, tão bonitos estes teus postais :P

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  2. Bem, o texto é uma maravilha, está tudo dito!
    Dá para perceber pelas fotos que também estão bem servidos de neve. Há três semanas, à porta de casa, chegava-me aos joelhos. Agora abrandou, mas as previsões apontam para gelo nas estradas, que é coisa para me continuar a assustar a sério.
    Imagino a carga de trabalhos que não foi tirar o carro dali! Às vezes a altura da neve é tanta que não dá mesmo para distinguir se é uma berma ou um desnível demasiado acentuado.
    Ai... pessoa do sul sofre.

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  3. @ Com que então, postais, D. Gralha?! ;)

    @ Este inverno já tem nevado alguma coisita, Paula... mas neve pelos joelhos ainda não, caraças! O pior é sem dúvida o gelo transparente nas estradas. É que não há olhos que os distingam, nem pneus de inverno que adiram! :(

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  4. Ahahahahahahahah...

    O meu pai quando via as imagens da neve na tv dizia sempre: mas como é que há maluquinhos que acham piada à neve??!!

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  5. Lol, Naná... mas vocês vivem com o pé no mar, pá! ;)

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