quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Fazer o essencial

(onde também se dá a conhecer

uma certa forma de coaching profissional)


 
Estou longe de ser a mãe que um dia sonhei que seria. Porque as minhas expectativas eram irrealistas. Porque não sou mesmo capaz. Porque estou ocupada a viver a vida, não a “vidinha”. Porque me falta o tempo. A disponibilidade mental. Porque um dia tudo se desmoronou e tive de recomeçar do zero. Porque tive de me reconstruir do zero. E isto é um work in progress, onde muitas vezes não há espaço para mais. Porque aprendi que uma mãe não é um lugar estanque e seguro, também está em constante crescimento. Porque abri mão das certezas absolutas em prol de um questionamento permanente. Porque aceito que faço o melhor que posso. Não podendo fazer as coisas todas bem feitas, pelo menos faço-as benzinho.

Vem isto a propósito do fundo de ecrã do meu computador. Nesta casa, há uma competição renhida pelo meu fundo de ecrã, que vai mudando segundo o estado de espírito do momento. Ontem, a trabalhar perto dos meus filhos, mas com umas saudades sem fim dentro do peito, escolhi uma fotografia nossa. Uma imagem que me arranca um sorriso ternurento sempre que faço uma pausa.

O Diogo viu-a, numa das vezes em que veio controlar muito pouco discretamente o avanço dos trabalhos, isto é, quantas páginas tinha eu conseguido traduzir enquanto ele fez o jantar com o meu amor. E disse: “É pá… até fiquei bem nesta fotografia. Estou mesmo giro!”. O Vasco também a viu, quando me veio perguntar quantas páginas faltavam para acabar o livro, para actualizar a sua contabilidade diária antes de ir para a cama. E disse: “Eu sou tão bonito!”. Além de serem especialistas precoces em coaching profissional, os meus filhos têm auto-estima para dar e vender. Acredito profundamente que isto advém do facto de se saberem amados.

Estou longe de ser a mãe que um dia sonhei que seria, mas sou muito mais feliz agora. E uma coisa é certa, tenho os filhos com que sempre sonhei. Portanto, alguma coisa hei-de estar a fazer bem...
 
 

10 comentários:

  1. Sem dúvida. Andas a fazer muitas coisas bem.

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  2. Também acho que sim. Ah,e os rapazes têm razão. Portanto, mais nada a acrescentar :)

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    1. Quanto a isso não tenho dúvidas, Paula... eles são mesmo giros! Mas vá eu talvez seja um bocadinho suspeita... :)

      PS: Acho que devo ter lançado uma praga a mim mesma, quando comentei no outro dia que por aqui ainda não tínhamos tanta neve como aí. Ainda não parou de cair, está o caos!

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  3. Falta-te algum distanciamento nessa análise, o que te leva a dizeres disparates. Acho que és melhor mãe do que se fosses "a mãe que um dia sonhaste ser"...
    Nesse caso, possivelmente, serias pior mãe! Aplica-se aos "pais/mães perfeitos/as" exactamente o mesmo que já uma vez disseste relativamente às "famílias perfeitas" (entenda-se pseudo-perfeitas e que fazem "show off" de tal pseudo-perfeição...)

    Então, a lição: os pais do post-guerra até aos anos 90 foram marcados pelo 1º best seller sobre "parentalidade" - a obra "Meu filho, meu tesouro" de Benjamim Spock (um médico), a obra mais vendida dos EUA depois da Bíblia, e que "ensinou" os pais a serem "perfeitos" (nada de contrariar as criancinhas, etc.). Tal volume de vendas ainda aumentou quando o Kennedy disse que esse livro era a inspiração dele e da mulher para educar os filhos. Conhecendo o pai e os filhos não parece ter dado grande resultado...
    Mas em Portugal era a obra de referência desde 68 e, especialmente, depois de 74. [Agora já sabes porque é que houve tanta pachorra para te aturar; e porque é que os filhos teimosos continuaram teimosos e os basófio-arruaceiros continuaram basófio-arruaceiros...]
    Só em 1987, o psicólogo Bruno Bettelheim, escreveu "A Good Enough Parent: the Guide to Bringing up your Child" (que já te emprestei) e que veio criticar a ideia de "pai perfeito" (que conduzia a crianças mal educadas e a adultos com alguns problemas) e introduzir o conceito de "pai/mãe suficientemente bom".
    Portanto, os pais (que presumem ser) perfeitos são piores pais (mea culpa) que os pais apenas "bonzinhos" (que é uma boa tradução para "good enough") e que têm consciência dos seus limites - pois todos os pais/mães/padrastos/madrastas/etc. têm limites. São é limites diferentes uns dos outros.
    E os pais que têm consciência das suas limitações são em geral melhores e mais conscienciosos do que os que não têm tal compreensão.
    E mais não digo...

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    1. Acho que não percebeste bem, pai. Quando disse que estava longe de ser a mãe que um dia sonhei estava a referir-me ao momento em que já se tem consciência de que se gostaria de ter filhos e se começa a pensar no tipo de mãe que se gostaria de ser. E isso comigo aconteceu muito cedo. Aliás, também li grande parte do Spock quando o Pedro era pequenino e o livro anda ali por casa.

      Sei que agora, apesar de tudo, estou mais perto dessa "mãe idealizada" que eu gostaria de ter sido do que quando estava casada. Porque nós também somos um reflexo da pessoa que temos ao nosso lado... :(

      E, sim, "benzinho" é a minha tradução livre do "good enough" do Bettelheim. :)

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  4. O perfeccionismo corrói o amor. Portanto, não queira ser perfeita. Basta ser você mesma.

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  5. Nunca aspirei a ser uma mãe perfeita e tomei muito cedo consciência de que sou uma mãe tremendamente imperfeita...

    Mas o mundo também não é perfeito e nós não somos super-mulheres, apesar de os nossos filhos nos verem como tal. Acho que não há mal nenhum em lhes mostrar que nós somos falíveis, como qualquer outra pessoa! Prepara-os melhor para serem felizes e lidarem com a adversidade.

    E depois de ler isto, só te digo: com o nível de auto-estima que esses teus miúdos têm, eles vão ser muito felizes sim! E tu, sem planeares, és uma mãe valente!!!

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  6. Gostei dessa ideia de que as nossas falhas os ensinam a ser felizes, Naná. ;)

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