quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

E assim se conquista uma reputação

(por esta altura, a minha vizinha já pensa

que viemos de Eldorado do Sul, lá nos confins do Brasil)



Um belo dia de sol, em pleno Inverno, não pode ser encarado com ligeireza. Em estando um ventinho bom, talvez até dê para secar uma máquina de roupa no quintal. Vá… para secá-la e congelá-la ao mesmo tempo, num estranho efeito físico que me ultrapassou. Confesso que foi bastante complicado enfiar pilhas calças de gangas congeladas no cesto da roupa. Já as cuecas e as meias petrificadas foi bastante fácil. Até foi engraçado fazer tiro ao alvo para dentro do cesto. A vizinha observava-me da janela. Acenei-lhe e gritei que a vantagem é que, assim que descongelasse, já estava tudo passado a ferro. Ela limitou-se a abanar a cabeça, parece-me – mas não quero ser má-língua – com um ar um pouco desgostoso.

No final do dia, saio para ir buscar o Vasco à escola. De manhã, foi o meu amor que o levou e não voltámos a mexer no carro. Olho à minha volta, com a espátula na mão, a tentar perceber qual daquelas montanhas de neve é o Twingo. Felizmente, há apenas três carros parados à porta. Um parece-me demasiado grande. Sobram dois. Ambos pequenos. Decido começar a limpar um deles. A minha vizinha sai nesse momento para passear os cães. Olha para mim, incrédula. Diz-me que o meu carro é vermelho. Que o carro que eu estou a limpar é branco. Hum… cobertos de neve, parecem-me os dois brancos. “Não quando já chegou à chapa. Não vale a pena limpar mais, esse carro é mesmo branco. E não é o seu.” Largo o carro branco-mas-não-da-neve e dirijo-me ao outro. Pelos vistos, o meu. “Quando for assim, basta destrancar as portas carregando na chave. O carro que apitar é o seu. Ou pô-lo na garagem, que é para isso que ela serve.” E foi-se embora, a abanar a cabeça, parece-me – mas não quero ser má-língua – com um ar um pouco desgostoso.

Acho que lhe vou oferecer mais uma garrafa de vinho do Porto.

4 comentários:

  1. Ahh, que saudades da neve. Mas isso sou eu, que sou arraçada de trabalhadora braçal.

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  2. Louca! ;)

    Mas estão todos convidados a fazer-nos uma visita, quando quiserem. Não precisam de se despachar a comprar bilhetes, esta porcaria branca está de pedra e cal.

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  3. Ahahaha!! Posso rir, não posso? Parece a história da minha vida.

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  4. Ri-te à vontade, também tenho rido muito de mim própria à conta destas peripécias... :D

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